História

A incrível e fantástica história do sonho que virou fórmula e da fórmula que virou escola

Certa vez, no pedacinho de um reino não tão distante nem tão desconhecido

(e tampouco tão pequeno assim, famoso em certo sentido pelo futebol que jogavam os seus…)

mas, como estávamos dizendo, um reino em que a educação das crianças andava muito mal das pernas, foi que uma professora de Química – só podia ser de química! – teve um sonho: criar uma fórmula mirabolante de inventar a escola dos sonhos das outras pessoas. Trancou-se em seus laboratórios e pesquisou, pesquisou, pesquisou – aliás, ela adora uma pesquisa – e começou a montar a tal fórmula. Descobriu outra coisa: aquilo ia demorar…

Mas! ela não desanimou – aliás, ela não desanima nunca –, e continuou pesquisando.

A fórmula ficara grande demais. A professora precisava de gente para ajudá-la a carregar os rabiscos e os cálculos e as anotações e os etcéteras de um lado para outro. Apareceram cinco voluntários, crentes, que acharam a fórmula muito interessante – “ah, isso vai dar muito certo”, diziam eles – e determinaram que era hora de tirá-la do papel.

Um deles gritou:
— E o nome? Precisamos de um nome!
— Mas não é Sonho de Fórmula de Escola dos Sonhos das Outras Pessoas?, lembrou outro.
— É, mas muito comprido…, observou um terceiro.
— E muito comum, bedelhou mais um. Tudo quanto é escola que aparece vem com essa história de sonho, de ‘diferencial educacional’ e isso e aquilo.
— Mas a nossa será assim!
— É verdade, mas parece tão óbvio que os pais queiram dar aos seus filhos o que não tiveram ou ainda que procurem uma escola em que eles próprios gostariam de ter estudado… me parece chover no molhado.

Silêncio. Pensaram, pensaram.
Alguém disse um já-sei:
— A escola fará uma ponte com a cultura italiana, certo? Afinal, 85% da cidade tem ascendência italiana e queremos estreitar os laços…
— Ensinar a língua – emendou um segundo – abrir as portas de uma cultura milenar, berço das artes e responsável por parte significativa do que nós somos. Pois bem, vamos por aí.
— Como seria o nome da cidade em italiano?, perguntou um deles.
— Não dá, a origem é tupi, objetou uma quarta voz. Mas o primeiro nome pode dar samba: Villa Jaguary. É com dois eles, assim como em italiano.
— Tá, mas queremos uma escola que forme para a vida, que ensine o aluno a perguntar. Não é fazendo as perguntas certas que descobrimos e conquistamos o que queremos? Jaguary fecha um pouco o leque…
— Mas em compensação dá o clima amistoso de aldeia que queremos no ambiente escolar. União, força e solidariedade. E toda a tradição, a bagagem cultural que queremos transferir.
— Boa! Parece-me até que nosso compromisso com a educação fica claro!
— Aquilo que está limitado apenas aos discursos muitas vezes na mídia.
— Expor a experiência do corpo docente, mestres que serão, iluminar os vários caminhos a seguir, as novas e exclusivas disciplinas que vamos empreender…
— O aprendizado de um outro idioma, além do português, do espanhol e do inglês…
— A interdisciplinaridade que vamos promover!
— Ô, palavrinha!, resmungou alguém.
— Uma escola com cara de colégio e clima de vila? Será?

Novo silêncio. Pensaram, pensaram.

— Colégio da Villa, sugeriu a química.
Todos assentiram.

E assim nasceu o Villa, um consenso em Educação, uma escola para a vida.
E o próximo colégio dos seus filhos (pena que você não tem mais idade…).

Texto escrito em 2009 pelo jornalista Milton Costa, após ouvir a história contada pela idealizadora do Villa: Maria de Lourdes Patrocínio da Silva Coccozza Simoni.

O Villa iniciou suas atividades em 2010.