Dia 7/12 foi o dia da Colação de Grau e Festa de Formatura dos alunos do 9º ano e 3º Ensino Médio. Escolhemos o Naga Cable Park para juntos, nos emocionarmos e festejarmos. Entre discursos maravilhosos, de professores e alunos, escolhemos o discurso da Gabriela Barbosa Neves, a Gabi, para deixar registrado aqui. Parabéns Gabi!! Emocionante é pouco para o que sentimos com as suas palavras e postura 🙂

“Não se pode ser sério aos 17 anos. Foi certamente no início deste ano e durante uma das aulas de literatura que a dada sequência de palavras ecoou sobre os meus ouvidos pela primeira vez. A mesma me tocou de tal forma que ao longo de todo o ano fui instigada à interpretação até que eu me tornasse capaz de ao menos tentar compreendê-la.

Uma sequência de tentativas frustadas no processo, sobretudo, acompanhadas pela dinâmica conflituosa presente dentro do que se é tido como o início do fim me fizeram compreender a fatídica frase da aula de literatura. E antes de mais nada: senti-la. A cobrança se faz presente desde primeiro grito de vida. E atrelado a esta: o reconhecimento inexistente. A luta pelo inalcançável. O massacre dos sonhos pelo lucro futuro. A busca incessante pelo auto-mérito. A saúde mental lesada por um boletim impecável. A disputa doentia por um emaranhado de letras na tal lista dos aprovados.

A acepção de que vivemos constantemente sob um método falho e restrito de liberdade torna-se gradativamente mais evidente. Portanto, que saibamos caminhar para a libertação das amarras regidas pelo sistema e reconheçamos a singularidade latente em nosso ser. Lembrem-se amigos: somos suficientes, únicos e avassaladores. E ainda vamos mostrar ao mundo a nossa força independente de como se apresente: pela música, pela arte, pelo esporte, pelos numerais, pela linguística, pela ciência, ou pelo amor. Siga o seu coração e intuição. Se você ainda não encontrou o teu caminho, não se desespere. Continue a nadar. E lembre-se, de novo: não se pode ser serio aos dezessete anos.

Em sala, a gente sempre se pega discutindo sobre o processo de amadurecimento e mudança que nos assolou durante esses últimos três duros anos. O fato da evolução constante, torna-se tamanha e quase que incompreensível quando analisamos os acontecimentos passados. Mas sim: ela aconteceu, e acontece.

Desabafos em classe faziam-se constantes, e quase que instantaneamente, ouviam-se palavras de motivação por todos os cantos. Em diferentes entonações. Mensagens distintas, mas sempre com o mesmo fim.

O ensino médio me ensinou que, por mais que lidemos com uma semana ferozmente cruel, juntamente com o stress e o desmerecimento presentes na rotina, a empatia e a união ainda devem entrar em vigência, confortando e acalmando os corações dos que nos cercam. E fizemos jus a tal propósito. Muitas e muitas vezes. Juntos. Sendo assim: não massacre o sentimento por um espaço naquele estágio, ou por uma vaga na empresa dos teus sonhos. O sucesso pessoal é necessário, assim como a frustração presente em cada tentativa, mas as relações humanas são fundamentais no acabamento. E junto ao sentimento e motivação depositada, confie no universo, em deus, destino, carma, ou seja lá o que você acredite: é necessário lidar com os por quês mundanos. Eles farão sentido mais tarde. Eu juro.

Hoje eu torno verbal o silêncio das entrelinhas de cada diálogo, cada sentimento compartilhado, cada riso. Deixamos não somente saudades, mas gratidão e admiração pela constância do nosso caminhar.

Que fique os nossos corpos estendidos na canga sobre a grama daquelas manhãs preguiçosas, os jogos de cartas jogados por entre a mesa nos intervalos, os pacotes de salgadinhos e bolachas passados de mão em mão durante as aulas, os cafés da Dona Cida, o bom dia do seu Luiz, os abraços calorosos da Cris e Ivy, os debates entre opiniões divergentes, as paródias e cantorias singulares, o “perder dos lados” em meio às explicações, as frases e expressões marcantes, assumindo um caráter único de linguagem e compreensão, e todas as outras inúmeras peculiaridades que talvez amanhã nos esqueçamos, mas que hoje são tão vívidas quanto a alegria de serem recordadas.

Independentemente do caminho que cruzemos, não me esquecerei da pessoa que fui essa noite. Como oradora, faço das minhas palavras muito mais que a minha oratória, mas a minha, e a nossa oração.

Obrigada por me fazerem completa. Eu amo vocês, amigos”